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Na instável e imprevisível situação internacional que hoje vivemos é necessário seguir com particular atenção os desenvolvimentos na região da Ásia-Pacífico, onde as ambições do imperialismo norte-americano, dos seus aliados da NATO e do Japão alimentam focos de confrontação extraordinariamente perigosos. A situação na Península da Coreia é o mais grave e recorrente exemplo desta situação, e a luta para pôr termo à escalada de tensão e por uma solução política que salvaguarde a soberania da RPDC e responda às aspirações do povo coreano à reunificação pacífica da sua pátria milenária é fundamental para a salvaguarda da paz. Neste sentido as gigantescas manifestações populares que na Coreia do Sul levaram à destituição da ex-presidente Park Geun-hue e à vitória de Moon Jae-in nas eleições presidenciais de 9 de Maio representam uma derrota da reacção sul-coreana e do imperialismo norte-americano. São particularmente significativas as declarações do novo presidente favoráveis ao diálogo com a RPDC e à suspensão da instalação do sistema antí-missil norte-americano THAAD directamente dirigido contra a China e que visa dotar os EUA de uma superioridade militar estratégica tal que lhe permita desencadear um ataque nuclear protegendo-se da inevitável resposta.

A eleição de Moon Jae-in com a possibilidade de um alívio da tensão na Península da Coreia é um acontecimento que os grande meios de comunicação só a contra-gosto noticiam, pois ele contraria os planos hegemónicos do imperialismo numa vasta região para onde tende a deslocar-se o «centro de gravidade da economia mundial», que é palco de uma acelerada corrida aos armamentos e, provavelmente, da maior concentração de tropas e meios aéreo-navais dos EUA. Uma região onde não cessa de se reforçar a aliança militar nipo-norte-americana, uma espécie de NATO do Pacífico, com a multiplicação de bases e o patrulhamento por poderosas esquadras navais de todo o Oceano, desde as disputadas ilhas Curilhas da Federação Russa às águas do mar do Sul em aberto desafio à República Popular da China. Uma região onde, apesar da oposição de um fortíssimo movimento da paz, renasceu e cresce ameaçador o militarismo japonês que, à revelia dos tratados que puseram fim à II Guerra Mundial no Extremo Oriente, está a dotar o Japão de poderosas forças armadas e a ameaçar com a sua utilização fora do território nipónico.

Ao renascimento do militarismo japonês e à sua estreita aliança com o imperialismo norte-americano e a reacção sul-coreana não tem sido dada a atenção devida, sobretudo tendo em vista o terrível historial de crimes praticados pelo poder japonês durante a colonização da Coreia, a invasão da China ou a ocupação de vários outros países asiáticos durante a II Guerra Mundial. Tal como o fascismo, o militarismo japonês tem de ser firmemente condenado, combatido e derrotado. Que as boas notícias que nos chegam da Coreia do Sul não sejam ofuscadas pelo surpreendente lançamento experimental de um míssil norte-coreano e possam contribuir também para este objectivo.

in “Avante” a 18 de Maio

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