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Nascido em Moura, Alentejo, em 1925, filho de pai jornalista e escritor, no seio de uma família de agricultores abastados de tradição republicana, experimentou a implantação da ditadura do “Estado Novo”, enquanto colhia a influência e inspiração das gentes insubmissa de sua terra.

Miguel Urbano Rodrigues cursou a Faculdade de Letras de Lisboa. Veio a ser redactor do Diário de Notícias (com início em 1949) e chefe de redacção do Diário Ilustrado. Jovem dotado de curiosidade e talento intelectual invulgares, e comprometido com as causas do povo, encontrou-se constrangido e ameaçado pelo regime fascista que amordaçava e aprisionava o seu país.

Exilado no Brasil, foi editorialista de O Estado de S. Paulo (1957 a 1974) e editor internacional da revista Visão (1970 a 1974). Durante esse período e acompanhou ou interveio em eventos marcantes da debilitação do regime fascista no plano externo, designadamente o assalto ao “Santa Maria” e a progressão da luta do MPLA e do PAIGC contra o colonialismo Português. Em 1963 aderiu ao Partido Comunista Português.

Regressou a Portugal logo após a o 25 de Abril de 1974, no auge da explosão de entusiasmo popular, incorporando-se na construção do regime democrático, como militante comunista. Foi chefe de redacção do Avante! em 1974 e 1975 e director do jornal O Diário, de 1976 a 1985. Exerceu a presidência da Assembleia Municipal de Moura de Janeiro de 1986 a Junho de 1988, foi deputado à Assembleia da República entre 1990 e 1995, e ainda deputado nas Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental.

Enquanto exilado desenvolveu vasta rede de contactos de trabalho e de laços de cúmplice amizade com inúmeras personalidades políticas progressistas da América Latina. De regresso em Portugal desempenhou inúmeras missões de natureza política ou jornalística, e expandiu a sua vasta rede de solidariedades e cooperação internacional.

Miguel Urbano Rodrigues foi fundador do sítio resistir.info em 2002, e do sítio odiario.info em 2006. E foi o principal promotor dos memoráveis Encontros de Serpa “Civilização ou Barbárie” que, nos anos de 2004, 2007 e 2010, reuniram numerosos activistas cívicos e alguns dos mais destacados intelectuais progressistas dos cinco continentes do mundo, em torno das questões da transformação revolucionária da sociedade.

Viajante e observador incansável, intelectual excepcional que contudo se tomava como um homem comum entre os demais em todas as latitudes em que viveu ou visitou, deixa-nos uma obra extensa que abarca géneros diversos, sempre inspirado pela compreensão e exaltação da condição e da acção do indivíduo na transformação revolucionária do homem e da sociedade, na realização suprema da Justiça e da Felicidade.

29 de Maio de 2017

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