A absolvição de Donald Trump – José Goulão

Agora sim, o presidente dos Estados Unidos age como lhe compete: trata a Rússia como o inimigo que, com todo o descaramento, procura impedir a balcanização da Síria, assim contrariando o incontrariável Israel; e aponta o dedo ameaçador à China, usando a Coreia do Norte como intermediário.

As reprimendas duras de amigos e aliados, a revolta caricaturada em manifestações inconsequentes e mesmo as conjecturas sobre um hipotético impeachment de Donald Trump cessaram como por encanto.

Secaram as lágrimas de crocodilo sobre a tragédia dos imigrantes que a Administração norte-americana declara ilegais; os muros e cercas erguidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México passaram a ser compreendidos, como tolerados são os levantados na Europa contra a «praga» dos refugiados (David Cameron dixit); o triste fim do pueril Obamacare perdeu o significado como bandeirinha de um protesto hipócrita, acomodada agora nos fundos de uma qualquer gaveta perdida.

Dissolveu-se assim a tempestade sobre Washington, soprada a partir do mundo que se auto define como civilizado durante os primeiros 100 dias da presidência imperial de Donald Trump. Para alcançar tão pacífica acalmia bastaram um bombardeamento contra o território soberano da Síria; o lançamento de uma superbomba contra o Afeganistão supostamente independente – um feito heróico cantado numa babel de línguas, ainda que viole algumas normas básicas da ONU; um piedoso acto de contrição declarando que «a NATO já não é obsoleta»; e uma arenga com ameaças de guerra contra a Coreia do Norte proferida in loco pelo vice-presidente Mike Pence, imitando uma pose do rambo.

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PCP apresenta proposta para a integração do Novo Banco no sector público bancário

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Intervenção de Miguel Tiago na Assembleia de República

O PCP apresentou hoje dois projectos que determinam a integração do Novo Banco no sector público bancário. Miguel Tiago na sua intervenção afirmou que “o PCP propõe que o Estado assuma o controlo proprietário e de gestão do Novo Banco, porque este banco é importante no financiamento da nossa economia e do sector produtivo e por isso a sua manutenção na esfera pública é muito importante”

O acesso à prática da actividade física e desportiva e os poderes públicos – Francisco Gonçalves

Nas últimas décadas ocorreram mudanças significativas na actividade física e desportiva em Portugal. Por um lado tivemos uma melhoria significativa no desempenho desportivo dos nossos atletas, fruto do aumento do número de praticantes em determinadas modalidades e de um salto significativo no trabalho da formação. No reverso da medalha assistimos a uma regressão no desempenho motor de parcelas da população, graças à diminuição da actividade física em contexto informal (uma marca dos dias de hoje) e à inexistência de prática desportiva formal como componente da sua educação e formação.

Olhando para a prática da actividade física e desportiva, de um ponto de vista de classe, encontramos esta como componente obrigatória da formação do indivíduo de classe média (camadas intermédias) e vemos, em certas franjas das classes populares, o seu desaparecimento como prioridade formativa e educativa.

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A perigosa situação internacional e a premência da luta pela paz

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Nota do Secretariado do Comité Central do PCP

Nos últimos dias verificou-se um perigoso agravamento da situação internacional. A escalada militarista dos EUA, impulsionada pela irresponsabilidade aventureira da administração Trump, acompanhada pelos seus aliados, incluindo da NATO e da União Europeia, e pela cobertura de uma colossal campanha mediática de desinformação, suscitou e continua a suscitar a maior inquietação por parte das forças progressistas e amantes da paz.

Os EUA, procurando a todo o custo afirmar a sua hegemonia no plano mundial e dando mostras da mais insolente arrogância e desprezo pela legalidade internacional e a soberania dos Estados que pretendem submeter, estão empenhados numa deriva imperialista de ameaças, provocações e intervenções militares que colocam o mundo perante a iminência de conflitos regionais devastadores e mesmo de um conflito de proporções mundiais.

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Assembleia Municipal de Arouca – 13/04/2017

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Questões colocadas por Carlos Alves no período destinado à intervenção dos munícipes.

Carlos Alves

Muito Boa Tarde,

Senhor Presidente da Assembleia e restante Mesa, Senhor Presidente da Câmara e senhores Vereadores, Senhores Deputados,

Esta semana tive a oportunidade de visitar uma importante associação juvenil de Arouca. Dessa visita duas dúvidas ficaram no ar e gostava de aqui as esclarecer junto do Senhor Presidente da Câmara.

A primeira está relacionada com os apoios da autarquia ao movimento associativo concelhio. Como sabemos as associações têm dinâmicas diferentes e hoje em dia a despesa de uma associação, particularmente as do âmbito desportivo, é elevada – inscrições nas federações, seguros dos atletas, remunerações dos monitores e treinadores, transportes, equipamentos, etc..

A dúvida que gostava de ver esclarecida é se a autarquia nos apoios concedidos considera o número de atletas envolvidos, as modalidades existentes e as actividades planificadas e trata diferente o que é diferente ou não?

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O Euro e a União Económica e Monetária

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Intervenção de João Ferreira, do Comité Central e Deputado ao Parlamento Europeu

Caros camaradas, estimados amigos,

O tema deste seminário – “O Euro e a União Económica e Monetária – Defender a soberania e o desenvolvimento económico e social” – não é novo na acção do Partido Comunista Português.

Desde antes da adesão ao Euro e até hoje, com particular indidência nos últimos anos, muitas foram as iniciativas promovidas pelo PCP, seja no plano nacional seja no plano do Parlamento Europeu, que se debruçaram sobre esta temática.

Mais, este seminário tem lugar quando decorre uma campanha nacional do PCP, iniciada este mês e que se prolongará até Junho, sob o lema “Produção, Emprego, Soberania – libertar Portugal da submissão ao Euro”. Uma campanha que inclui debates, acções de contacto com as populações e a edição de um livro (já apresentado este mês aqui no Porto).

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Deputado do PCP contacta produtores de mirtilos

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Miguel Viegas e Carlos Alves com produtores de mirtilos

Miguel Viegas, deputado do PCP no Parlamento Europeu, esteve nos concelhos de Ovar e Estarreja em contactos com produtores biológicos de mirtilo. A produção biológica tem vindo a afirmar-se de forma crescente na Europa e em Portugal como um modelo alternativo de produção mais sustentável e com mais qualidade e segurança para os consumidores.

Contudo, os produtores portugueses e em particular os produtores da região confrontam-se com dificuldades de várias ordem que decorrem muitas vezes com desconhecimento ou má legislação à realidade específica do produto ou da região. De acordo com os produtores, é necessário mais divulgação e uma melhor e mais dirigida fiscalização por forma a aumentar a confiança dos consumidores relativamente à este mercado emergente. Neste sentido, é muito importante que o Plano de Desenvolvimento Rural apoie mais a produção biológica tendo em conta os elevados custos de produção, mas também os serviços prestador por este setor na preservação do meio ambiente e da biodiversidade. A contaminação por culturas convencionais, a disponibilização de produtos que ainda não estão homologados em Portugal e as tentativas de introduzir OGM neste setor, desvirtuando completamente o conceito, foram temas igualmente abordados.

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A mentira como arma de guerra – Pedro Guerreiro

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Nas guerras imperialistas a verdade é a primeira vítima. As acções de agressão à soberania dos povos por parte dos EUA e seus aliados – para eliminar governos e destruir estados que de algum modo se lhes não submetam – têm sido precedidas por operações de manipulação para, com base em falsos pretextos, criar as condições para que aquelas sejam acriticamente aceites e até vistas como se legítimas fossem.

Recordemos as recentes guerras contra o Iraque e a Líbia e as campanhas de falsidades e desinformação que as acompanharam, através das quais os EUA e seus aliados pretenderam ocultar os reais objectivos e as brutais consequências das suas criminosas acções, procurando dificultar a sua ampla denúncia e condenação e estigmatizar e desacreditar a expressão da solidariedade para com a legítima resistência face à agressão.

A agressão dos EUA e seus aliados à Síria e ao seu povo não é excepção. Desde o primeiro momento a falsidade, nomeadamente assumindo a forma da provocação, acompanhou a acção dos agressores que constantemente procuram criar um qualquer pretexto que favoreça a escalada da intervenção externa contra este país, tendo sido denunciados hediondos crimes perpetrados por grupos terroristas com este propósito – incluindo a utilização de armas químicas –, intencionalmente atribuídos ao governo e Forças Armadas sírias.

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Delegação da CDU visita o CJS de Arouca

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Uma delegação da CDU, constituída por Carlos Alves e Tadeu Saavedra, da Comissão Concelhia do PCP, António Óscar Brandão e Carlos Pinho, da Coordenação Concelhia da CDU, e Francisco Gonçalves, responsável pela Comissão Concelhia do PCP e pela Coordenação Concelhia da CDU, visitou e reuniu com o Centro Juvenil Salesiano de Arouca (CJS Arouca), dando assim resposta ao convite feito por esta associação arouquense.

A delegação da CDU ouviu as preocupações e reivindicações do CJS Arouca, os seus planos e perspectivas para o futuro e apresentou a sua concepção sobre o associativismo e o desporto, sublinhando a ideia de que a intervenção dos poderes públicos deve ser feita no sentido de eliminar as barreiras, económicas se for o caso, no acesso universal à prática desportiva.

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«Há um mar de problemas que precisam de respostas»

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No debate quinzenal realizado hoje na Assembleia da República, Jerónimo de Sousa “há um mar de problemas que precisam de respostas, mas há um problema de fundo na situação social portuguesa que precisa de ser considerada, trata-se do enorme retrocesso verificado no domínio das relações laborais na última década e meia, que desequilibraram profundamente essas relações em desfavor da parte mais fraca, a dos trabalhadores”.

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Descargas poluentes no Rio Paivô – Urtiarda

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Têm vindo a público, nos últimos tempos, uma série de notícias, denunciando as frequentes descargas poluentes que têm vitimado o Rio Paivô.

Para quem o conheceu, há décadas, com as suas águas cristalinas, sem par, e com um ecossistema cheio de vida, onde abundava a truta fario, só pode ficar revoltado com o que a mão criminosa do homem lhe tem feito, nos últimos anos. E, de facto, as descargas sucedem-se com uma intensidade e frequência tal, à vista de toda a gente, o que faz pensar até que os seus responsáveis agem como se o seu comportamento fosse natural ou não tivessem nada a recear. As imagens, com as águas ora esverdeadas, ora acinzentadas, falam por si.

E a situação é tanto mais grave quando, apesar das sucessivas denúncias, entidades que têm por dever e obrigação zelar pelos nossos recursos naturais, nada fazem. Câmara e Associação Geopark incluídos. Não se preocupam, não fiscalizam, não apuram responsabilidades. Em suma, para lá do habitual discurso de circunstância, nunca fizeram nem nada fazem na defesa e preservação dos nossos rios e ribeiros e seus ecossistemas.

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Jantar Comemorativo da Revolução

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Conforme vem sendo hábito vamos comemorar, em 2017, o aniversário da Revolução de Abril, concretamente o 43º. Este ano vamos fazê-lo sobre a égide da CDU – Coligação Democrática Unitária. A intervenção política está a cargo de Joaquim Almeida, Coordenador da União de Sindicatos de Aveiro durante muitos anos e, também, durante muitos anos membro do Comité Central do PCP.

O dia, é o da véspera – 24 de Abril, a partir das 20h00. O espaço, mais familiar que o habitual, o salão do Tono Florista. O prato, o tradicional cozido à portuguesa. O custo, 15 euros.

As inscrições podem ser feitas junto de Tadeu Saavedra – 912111420, e Francisco Gonçalves – 916893711.

Aparece… e traz um amigo também!

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Entrevista ao Coordenador do PCP de Arouca – Francisco Gonçalves

1 – O que motivou a sua candidatura a Presidente da Comissão Política?

O PCP tem uma organização e funcionamento diferentes dos restantes partidos. Temos organizações de base (empresa, sectores, freguesia, concelhias), organizações regionais (distritos) e o órgão de direcção do PCP (Comité Central).

Como o modelo de funcionamento é baseado no Centralismo Democrático, cada organização de base tem um responsável, que é membro da direcção da organização regional e cada organização regional tem como responsável um membro do Comité Central.

O papel do responsável é o de garantir o fluir dos dois fluxos vitais do PCP, os contributos dos militantes e a opinião apurada na organização de base e as orientações do órgão regional e central do PCP.

Por isso, sou responsável pela Comissão Concelhia de Arouca do PCP e membro do órgão executivo da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP.

Respondendo à sua pergunta – não sou presidente (não há presidentes no PCP), não me candidatei, fui proposto pela Direcção Regional para esta tarefa, a proposta mereceu a anuência da Comissão Concelhia de Arouca e aceitei. Trabalho em Arouca há duas décadas, gosto da terra e da gente.

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Agora, Donald Trump já é bom?! – Pedro Tadeu

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Quando vejo os dirigentes desta querida Europa Ocidental, suposta paladina dos direito humanos, da liberdade e da paz, aplaudirem unanimemente o bombardeamento norte-americano contra instalações militares, governamentais, na Síria, para penalizar uma utilização de armas químicas, concluo: “Não aprendemos nada.”

Quando, pela enésima vez, vejo repetida a cena da crónica subserviência europeia, acrítica e impotente, às ações intempestivas da política norte-americana (embora coerentes com uma estratégia política de domínio do Médio Oriente), exclamo: “Pois… não aprendemos nada…”

Quando vejo tantos aplausos a Donald Trump, dados pelas mesmas pessoas que na véspera acusavam o presidente norte-americano de ser um perigo para a democracia, chego à desesperada conclusão: “Realmente, bolas, não aprendemos nada!”

Não aprendemos quando os norte-americanos juraram que Saddam Hussein tinha armas de destruição maciça, uma comprovada mentira que justificou a segunda invasão do Iraque em 20 de março de 2003.

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«Libertar Portugal do colete de forças é indispensável para o desenvolvimento nacional»

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Intervenção de João Oliveira, jornadas parlamentares do PCP

Camaradas e amigos
Caros convidados
Sras. e srs. Jornalistas

O tema central destas jornadas parlamentares que realizamos no distrito de Coimbra é a produção, o emprego, a soberania, a libertação de Portugal dos constrangimentos que impedem o País de se desenvolver, de concretizar a política capaz de assegurar um Portugal com futuro.

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PCP condena agressão dos EUA à Síria

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O PCP condena veementemente o bombardeamento perpetrado pelos EUA contra a República Árabe Síria, um acto de agressão em clara violação do Direito Internacional e da soberania e integridade territorial do Estado sírio.

Trata-se de mais um acto de agressão que se insere na guerra que, desde há seis anos, é movida pelos EUA e seus aliados na Europa e no Médio Oriente – incluindo através da criação e apoio a grupos terroristas – contra a Síria e o seu povo.

Recordando as campanhas de desinformação e manipulação que sustentaram as agressões ao Iraque e à Líbia, o PCP chama a atenção que este acto de agressão é desencadeado a pretexto de um alegado «ataque com armas químicas» em Khan Sheikoun, na Província de Idleb, que as autoridades sírias categoricamente negam e cujas reais circunstâncias e autoria carecem de cabal esclarecimento, tanto mais quando tem sido denunciado o armazenamento e a utilização de armas químicas pelos grupos terroristas na Síria.

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CDU: Força com um projecto assente no trabalho, na honestidade e na competência

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Encontro Nacional do PCP sobre as Eleições Autárquicas. A organização concelhia esteve representada.

Chegaram ao fim os trabalhos do Encontro Nacional do nosso Partido sobre as eleições para as autarquias locais a realizar no próximo dia 1 de Outubro.

O ambiente que aqui se respirou foi um ambiente de confiança. Confiança nas nossas forças. Confiança na capacidade de realização, intervenção e mobilização do nosso Partido e dos nossos aliados – o Partido Ecologista «Os Verdes» e a Associação Intervenção Democrática – que daqui saudamos.

Confiança na vitalidade e actualidade do projecto de unidade e convergência democrática que é a CDU – que, de mandato após mandato, se tem afirmado como um amplo espaço de participação, debate e realização ao serviço das populações.

A confiança de quem tem um passado de trabalho e realização que, nos mais diversos e decididos domínios da intervenção autárquica, deram um inestimável contributo para as mudanças positivas que se operaram na sociedade portuguesa desde o 25 de Abril.

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Recuperar a soberania monetária – Octávio Teixeira

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«Rezem para que, no novo século, os livros de história económica não relembrem a experiência do Euro como um erro trágico».

O vaticínio de Paul Samuelson há 25 anos, na sequência do Tratado de Maastricht, concretizou-se. Mas os mandantes da UE e seus acólitos continuam cegos à realidade e persistem em prolongar e agravar a tragédia, como mais uma vez o mostraram em Roma.

A zona Euro tem sido um espaço de baixas taxas de inflação e défices orçamentais e, em contrapartida, de taxas de crescimento fracas e decrescentes, níveis de desemprego elevados e crescentes, cada vez menor protecção social dos cidadãos, impondo maior flexibilidade no mercado de trabalho e mais facilidade para os despedimentos, num movimento acelerado de emagrecimento do chamado «modelo social Europeu».

Tem-se acentuado a divergência do nível de coesão das economias e a União Económica Monetária (UEM) e o Euro nem sequer foram um factor de estabilidade face a turbulências financeiras.

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Seis anos depois… – José Alberto Lourenço

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No dia 5 de Abril de 2011, em conferência de imprensa convocada para o efeito, o Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa propunha que o Estado português iniciasse de imediato a renegociação da nossa dívida pública, com a reavaliação dos prazos, juros e dos montantes a pagar, no sentido de aliviar o Estado do peso e do esforço do serviço da dívida que então suportava, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego e outras necessidades do país.

Quase que caiu o Carmo e a Trindade com esta proposta do PCP, com o PS, PSD e CDS, a considerarem-na irresponsável e irrealista e a dizerem mesmo que ela conduziria ao afundamento da nossa economia e ao empobrecimento do país.

Nessa altura o valor da nossa dívida pública atingia os 160 mil milhões de euros (94% do PIB) e custava ao país cerca de 5 mil milhões de euros anuais, hoje, passados seis anos, entre os quais três anos de intervenção da Troika (CEE/BCE/FMI) coincidentes com os quatro anos e meio de governo de direita PSD/CDS, a dívida pública atinge os 243,5 mil milhões de euros (130,4% do PIB) e custa ao país anualmente cerca de 8 mil milhões de euros de juros.

Não é de mais reafirmarmos que este valor equivale ao Orçamento do Ministério da Saúde e representou quase o triplo do investimento público em 2016.

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Descubra as diferenças – Filipe Diniz

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Um porta-voz da Amnistia Internacional falava em Dezembro de 2016 sobre a situação em Alepo. Não poupou nas palavras nem nas conclusões: «a chocante informação de que dezenas de civis têm sido executados extrajudicialmente pelas tropas do governo sírio […] aponta para crimes de guerra» […] «A informação de que civis – incluindo crianças – estão a ser massacrados a sangue-frio em suas casas pelas forças do governo sírio é profundamente chocante mas não é inesperada, tendo em conta a conduta destas forças até à data.» […] «No decurso do conflito as forças sírias, apoiadas pela Rússia, têm repetidamente manifestado um grosseiro desrespeito pelo direito humanitário internacional e um evidente desprezo pela sorte dos civis».

Intensifica-se agora uma «ofensiva aliada» sobre Mossul, no Iraque. Há notícia de milhares de mortes de civis. A Amnistia Internacional, que tão duramente e de forma tão conclusiva se pronunciara em Dezembro sobre Alepo, pronuncia-se agora sobre Mossul. A fórmula utilizada é um verdadeiro salamaleque: «o recente aumento de baixas civis […] sugere que a coligação encabeçada pelos EUA não está a conseguir tomar as precauções adequadas para evitar mortes civis». Só falta pedir desculpa pelo atrevimento.

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Sobre os últimos desenvolvimentos no sector bancário em Portugal

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Declaração de Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central, conferência de imprensa.

1 – Os últimos desenvolvimentos no sistema bancário em Portugal, nomeadamente o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e a venda do Novo Banco à Lone Star, evidenciam o quadro de submissão do País às instituições da União Europeia e a perda de soberania nacional nos planos económico e financeiro.

A situação do sector bancário em Portugal está marcada pelas consequências do domínio político e económico alcançado pelo capital financeiro, fruto das políticas de capitulação da responsabilidade de PS, PSD e CDS-PP, que têm conduzido a uma crescente financeirização da nossa economia.

Uma banca dominada por interesses do grande capital, atolada em tráficos de influências, ilegalidades, práticas dolosas, deploráveis comportamentos éticos, saque pessoal de rendimentos e capitais, negócios obscuros e ilícitos, numa lastimosa sucessão de escândalos financeiros.

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Os valores da União Europeia: da propaganda à realidade – Miguel Viegas

Assistimos por estes dias a mais uma gigantesca operação de marketing da União Europeia. Tendo como pano de fundo as comemorações dos 60 anos da assinatura do Tratado de Roma, não há nenhum meio de comunicação social que não seja utilizado para difundir os valores humanistas da União Europeia e o seu papel como bastião da democracia, da liberdade, da paz e do desenvolvimento. Em tempo de guerra não se limpam armas, já dizia a minha Tia Joaquina.

Porém, a realidade está aí, incómoda e dissonante. A história de Ibrahima Kaba merece ser aqui contada porque ela representa a expressão concreta das políticas da União Europeia. Ibrahima Kaba nasceu na Guiné Conacri. Cedo ficou órfão de pai, perdendo mais tarde a sua mãe, apanhada na epidemia do Ébola. Fugindo de um mais que certo futuro de miséria, decide com um amigo, tentar a sua sorte na Europa. Começa então uma longa e dolorosa epopeia que os leva a atravessar o Mali, a Nigéria e a Líbia. «Foram semanas de sofrimento» conta Ibrahima, «atravessámos o deserto numa pick-up, quando as pessoas caíam o motorista não parava. Muitas pessoas perderam a vida». Na Líbia, o seu companheiro de viagem é atingido num braço por uma bala. Chegados à costa do Mediterrâneo, conseguem, através de um passador, embarcar numa frágil embarcação. Dois dias depois atinge a costa de Itália onde perde o rasto do seu amigo e decide prosseguir caminho até Marselha onde chega finalmente, em Setembro de 2016, completando uma viagem de meses onde enfrentou a fome, a sede e a guerra.

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Assembleia regional confirma crescente afirmação do PCP em Aveiro

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A 10.ª Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP, realizada no dia 25,  apontou o caminho para reforçar a presença do Partido junto dos trabalhadores e das populações.

Das mais de meia centena de intervenções proferidas, sábado, nas antigas instalações dos Bombeiros Voluntários de São João da Madeira, na assembleia dos comunistas de Aveiro, sobressaiu uma impressionante determinação em dar novos saltos em frente ao nível do reforço da organização do Partido e da sua implantação em mais empresas, concelhos e freguesias do distrito. É que se houve constatação que foi possível retirar da intensa luta travada nos últimos anos contra a política de exploração e empobrecimento do governo PSD/CDS e da troika e pela reposição, defesa e conquista de direitos, é que ela é tão mais poderosa e eficiente quanto mais forte, organizado e interventivo for o Partido Comunista Português.

Desde a última assembleia, realizada no início de 2014, foram muitos os avanços alcançados pela organização regional: 150 novos militantes; um aumento de 21 por cento na difusão do Avante!; mais militantes a pagar quotas regularmente e a participar em organismos partidários; novos Centros de Trabalho em funcionamento; 17 assembleias realizadas (algumas em concelhos onde tal nunca havia sucedido); superação dos objectivos traçados no âmbito da campanha de fundos para aquisição da Quinta do Cabo; expansão do espaço de Aveiro na Festa do Avante! e conclusão da acção de contacto com os membros do Partido.

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«A privatização do sector energético representou um verdadeiro crime para o interesse nacional»

No debate realizado na Assembleia da República em torno das questões da energia, Bruno Dias afirmou que “é urgente e indispensável, em particular neste sector, uma efectiva ruptura com a política de direita, enfrentar os interesses instalados do poder económico e das multinacionais, defender e afirmar o direito no nosso País à soberania e ao desenvolvimento e defender os direitos e os interesses dos trabalhadores e do povo. É disso que falamos quando falamos de uma política patriótica e de esquerda”.

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Alternativa Patriótica e de Esquerda, sua concretização no Distrito – Francisco Gonçalves

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X ASSEMBLEIA REGIONAL DE AVEIRO DO PCP

“Com os trabalhadores e povo, mais PCP, melhor futuro”

 

Intervenção Central:

Camaradas,

A conjuntura actual, com a solução de governo existente, a correlação de forças na Assembleia da República e a posição conjunta assinada com o PS, os seus limites e potencialidades, os avanços conseguidos com a marca PCP, não nos podem iludir quanto ao essencial – Portugal não rompeu com a política de direita e só quando o fizer terá condições para rumar à Democracia Avançada, pelos valores de Abril no futuro de Portugal.

É esse o horizonte actual do Partido, é com os olhos postos nesse horizonte que trabalham os comunistas portugueses, criando condições para que o país adopte uma política de defesa da soberania e dos interesses de Portugal (patriótica) e que eleve as condições dos que não contam na lógica burguesa, os de baixo (de esquerda).

São oito as prioridades que o nosso Partido, pela voz do seu XX Congresso, estabelece para uma Política Alternativa, Patriótica  e de Esquerda, política essa que traduziria uma ruptura com a política de direita a que  Portugal continua sujeito, a qual  teria, inevitavelmente, expressão aqui, no concreto, no distrito de Aveiro. Enumerando-as:

I – Libertação do País da submissão ao Euro e das imposições e constrangimentos da União Europeia. Esta é uma das limitações maiores do país. Um exemplo, a  orientação política dos Fundos Europeus. Conforme afirmamos na resolução política, é um erro Portugal circunscrever a sua política de investimento aos Fundos Europeus, porque estes são insuficientes, não decorrem  das necessidades do país e têm uma orientação política própria. Os financiamentos ao serem mais generosos para as autarquias e comunidades intermunicipais do que para o Estado Central estão a contribuir para o esvaziamento do Estado. Agora, para as autarquias, mais tarde para o privado.

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Intervenção da Organização Concelhia de Arouca

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X ASSEMBLEIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE AVEIRO DO PCP

“Com os trabalhadores e o povo, mais PCP, melhor futuro”

Camaradas,

Trazemos a esta Assembleia Regional três apontamentos, um sobre a nossa organização de Arouca, outro sobre o trabalho realizado e o que perspectivamos realizar, e um último sobre uma matéria que esteve, esta semana, na ordem do dia, os incêndios.

Somos uma pequena organização, vinte e dois camaradas, tendo em conta o falecimento, há pouco mais de um mês, de um camarada, o “João do Registo”, que aqui aproveitamos para homenagear. Dos vinte e dois apenas metade tem militância activa e condicionada pelos problemas migratórios. Temos um organismo em funcionamento, a Comissão Concelhia, existem dificuldades no recrutamento e na elevação da militância dos recrutados.

Mas estes problemas não nos fizeram, nem vão fazer, desistir. Levámos já quinze anos de actividade regular continuada. Temos um núcleo de amigos da CDU que participa connosco em diversas iniciativas locais e regionais, publicamos regularmente textos na comunicação social local, participamos nas assembleias municipais no período destinado aos munícipes, somos considerados como força política séria e com opinião.

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Os Modernos – Francisco Gonçalves

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Com o advento da web o ser humano encontrou novas formas de aceder e partilhar informação e, até, de se relacionar com os outros, da pesquisa na web ao e-mail, da blogosfera às redes sociais.

As redes sociais são hoje tidas como a nova forma de cultivar e viver a amizade, de comunicação e intervenção cívica. Os poucos abelhudos que se mantém longe de tais mundos, abstémios na arte do like, post e MEME, são seres do passado, fechados que estão à nova Atena.

Sobre o cultivar e o viver a amizade não deixa de ser curioso que uma pessoa possa ter dezenas, centenas, milhares de amigos. Logo a amizade, sentimento e relação de partilha e de tempo convivido. Como é que é possível conviver com noventa e nove, seiscentos e sessenta e seis ou dois mil e dezassete amigos? Só mesmo no mundo virtual!

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O mito da «Europa» – Avelãs Nunes

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1 – O ideal pan‑europeu não é uma questão recente.1 Há quem fale do mito da Europa. E há quem vá buscar as origens da ideia de Europa à Idade Média. Outros recuam até ao século XVIII. Se ficarmos pelo século XIX, poderemos referenciar a Liga Internacional da Paz e da Liberdade, organização pacifista fundada em 1867, em Berna, por Charles Lemmo­nier. Esta organização publicou em 1869 um Manifesto em que defendia a criação dos Estados Unidos da Europa, projeto que teve a oposição de Karl Marx, porque ele escapava à ação da Associação Internacional dos Trabalhadores e porque o internacionalismo não devia confinar‑se à escala europeia.

Os movimentos revolucionários que marcaram a Europa em 1848 foram também frequentemente animados pelos ideais do pacifismo e de uma federação europeia.

Na Europa contemporânea, o ideal pan‑europeu afirma‑se entre as duas guerras mundiais do século XX, período durante o qual surgiram propostas várias no sentido da organização de cartéis e da celebração de acordos com vista a uma gestão conjunta dos sectores do carvão e do aço.

A partir de 1922 (ano em que publicou um livro intitulado Pan‑Europa) Richard Coudenhove‑Kalergi inspirou e animou um forte movimento com vista à criação dos Estados Unidos da Europa, de que excluía a Rússia (por ser um país euro‑asiático) e o Reino Unido (por ser um império interconti­nental). Pretendia-se evitar o domínio militar soviético e o domínio económico dos EUA e do império britânico.

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